quinta-feira, 31 de março de 2011

Será que, quando eu virar Dotôra, os dotôres vão me ouvir?



Me perguntei sobre isso na aula de hoje, enquanto ouvia um colega falar das disputas internas ao campo da saúde na atualidade. Disputas que aumentam com a chegada de novos atores – disciplinares, inclusive -, que trazem consigo outros olhares sobre o campo. Essas disputas pelo poder simbólico não cessam, e nós, comunicadores da/na saúde, estamos no olho desse furacão, lutando discursivamente, de posse de nosso capital cultural, com os tradicionais “profissionais da saúde”, especialmente eles, os médicos, eternos doutores. Somos nós, jornalistas ETs transitando pelo ambiente hospitalar, alguns desses novos atores, e causamos, com o nosso instrumental, o nosso foco, a nossa perspectiva, uma revisão de conceitos e, muitas vezes, um certo mal estar. Talvez o mal estar da interdisciplinaridade.

Plagiando o “vide bula” do mesmo espirituoso colega:
Se conselho serve de alguma coisa, prescrevo aos mais resistentes: UM ENGOV ANTES E OUTRO DEPOIS.

terça-feira, 29 de março de 2011

um dia em casa



no meio dessa loucura toda - entre trabalho e doutorado -, hoje fiquei em casa. não foi descanso, ao contrário, mas o motivo é o único justificável: meu filhote adoeceu. ainda não sei o que é, mas passei a noite em claro com ele, febre de quase 39 graus. tentei levá-lo a uma emergência - de hospital particular -, mas a espera mínima era de DUAS HORAS...
e por falar em saúde, um dia em casa com o joão, doente, e ele conseguiu "arrumar" o quarto dele para brincar! a minha saúde mental agradece!!!

domingo, 20 de março de 2011

Fichamento 1


Interdisciplinaridade e integração dos saberes
POMBO, Olga. Interdisciplinaridade e integração dos saberes. LIINC em Revista, v.1, n.1, 2005, p.3-15. Disponível em http://www.ibict.br/liinc. Acesso em 17.03.2011.

O artigo é fruto de uma conferência que a autora ministrou no Congresso Luso-Brasileiro sobre Epistemologia e Interdisciplinaridade na Pós-Graduação, realizado em Porto Alegre (Brasil) em junho de 2004. O tema do trabalho é compreender a questão da interdisciplinaridade tanto na investigação científica quanto no ensino das ciências na atualidade.
Pontos mais importantes apontados ao longo do texto:
1. Além de afirmar que não sabe o que é nem como se faz interdisciplinaridade, a autora arrisca dizer que ninguém sabe como se faz, pois a interdisciplinaridade não é qualquer coisa que se faça, mas algo que está a acontecer para além da nossa vontade. Ela defende que sua tentativa será fazer seu público entender um pouco do que se pensa sobre interdisciplinaridade e por que ninguém sabe como ela se faz e o que ela é exatamente;
2. Para começar, Pombo trabalha os conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade, demonstrando suas semelhanças e seus distanciamentos. Segundo ela, esses conceitos seguem em um continuum de desenvolvimento, da ideia de convivência entre muitas disciplinas – multi ou pluri -, para a ideia de colocá-las em relação umas com as outras – inter -, até a ideia trazida pelo prefixo trans, de ir além das disciplinas, ou, nas palavras da autora, “uma ultrapassagem daquilo que é próprio da disciplina” (p.5). De qualquer modo, todos esses conceitos carregam em si, segundo ela, “uma tentativa de romper o carácter estanque das disciplinas” (p.5). A interdisciplinaridade estaria, portanto, em uma situação intermediária, entre a simples justaposição e a ultrapassagem/fusão entre elas;
3. O fundamental, para a autora, é compreender o que está por trás dessas várias palavras, que é a resistência da atividade científica ao processo de especialização que vem se fortalecendo a partir do século XIX, com o advento da ciência moderna, baseada nas metodologias propostas por Descartes e Galileu. A especialização que tem caracterizado o procedimento científico desde sempre é, segundo Pombo, essa metodologia que permite “ ‘esquartejar’ cada totalidade, cindir o todo em pequenas partes por intermédio de uma análise cada vez mais fina” (p.6), acreditando que, ao final do processo, poderá recompor o todo por meio da soma das partes;
4. Pombo explica que há, certamente, as vantagens relacionadas a essa concepção da ciência, demonstradas por todos os resultados notáveis trazidos para a vida do homem contemporâneo. Mas, no entendimento da autora, é necessário reconhecer os custos da especialização, que a autora elenca em seguida:
4.1. Custos relativos ao próprio especialista, que se converte em um ser que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, ao lado da separação e da incompreensão profunda entre duas formas da cultura científica: ciências da natureza e ciências do espírito, que deixam de comunicar entre si;
4.2. Custos do ponto de vista institucional, a saber, a competitividade entre comunidades de pares, que disputam entre si os apoios, financiamentos, bolsas, equipamentos etc. Uma das conseqüências dessa disputa é a patentificação de novas áreas de investigação, que, segundo Pombo, “ameaça destruir a nossa própria ideia de ciência” (p.8), pois dificulta ou mesmo inviabiliza as descobertas simultâneas e “o carácter público, universal e desinteressado da ciência” (p.9);
4.3. Para a autora, além dos custos culturais e institucionais da especialização, há ainda outros tipos de custos, como a questão da heurística: paradoxalmente, em paralelo ao processo de especialização vivido pela ciência, as descobertas científicas e o progresso da ciência estão cada vez mais atrelados à fecundação de umas disciplinas por outras, pela “transferência de conceitos, problemas e métodos – numa palavra, do cruzamento interdisciplinar” (p.9). O que vivemos hoje, nas palavras de Pombo, “é como se o próprio mundo resistisse ao seu retalhamento disciplinar” (p.9). Segundo Pombo, de acordo com alguns autores, como Durand (1991), a criação científica sempre esteve ligada à interdisciplinaridade;
5. Por tudo o que foi dito antes, a autora acredita que uma das chaves fundamentais para o entendimento da questão é considerar que o todo não é igual à soma das partes. Segundo ela, a especialização precisa ser complementada ou mesmo substituída por uma visão interdisciplinar, que pode ser capaz de abarcar as configurações e perspectivas múltiplas que a ciência necessita convocar para o conhecimento de seus objetos de estudo. Nessa nova perspectiva epistemológica, Pombo observa o surgimento de ciências de fronteira, interdisciplinas e mesmo interciências, combinações que visam resolver problemas precisos, que fogem à alçada das disciplinas tradicionais. Sim, pois a autora aborda também o surgimento não apenas de novas práticas de investigação interdisciplinar, mas de novos problemas, complexos, impossíveis de serem pensados sem lançar mão de uma enormidade de variáveis que nenhuma disciplina sozinha está apta a resolver. Disso, para ela, decorrem duas conseqüências: “o alargamento do conceito de ciência e a necessidade de reorganização das estruturas da aprendizagem das ciências, nomeadamente, a universidade;
5.1. Sobre o alargamento da ciência, a autora defende que, desde o início do século XX, a ciência entrou em um processo de perda da autonomia, passando a ser, cada vez mais, sobretudo a partir da 2ª Guerra Mundial, afetada por aspectos de natureza política e econômica; ao mesmo tempo, a ciência passou a contaminar e estar presente em todas as instâncias da vida humana, fazendo parte de nosso cotidiano;
5.2. Em razão desse apagamento de fronteiras entre ciência e política, economia, arte e vida, surge uma nova situação, a de um público mais informado, que passa a se interessar, a criticar e a exigir mais; o que aponta para uma remodelação da Universidade, um espaço de investigação mas também de formação;
6. O lugar da Universidade: polo de investigação e local de formação
6.1. Pombo salienta que, como polo de investigação, ela terá de acompanhar as transformações pelas quais passa a ciência contemporânea, adotando e apoiando as exigências interdisciplinares que atravessam a construção dos conhecimentos;
6.2. Como escola, local de formação, ela tem de estar apta a preparar para a interdisciplinaridade e não apenas apoiar, mas promover experiências que se debrucem sobre novos tipos de configurações disciplinares. Como afirma Pombo, “criar oportunidades sérias para pensar o que está a acontecer, tanto na esfera da produção, como na da transmissão do conhecimento” (p.13).
Conclusões: Por fim, a autora afirma que a interdisciplinaridade não se deixa pensar apenas em sua faceta cognitiva, pela sensibilidade à complexidade, mas exige uma atitude concreta de curiosidade, abertura e gosto pelo trabalho em comum. Nas palavras dela, “sem interesse real por aquilo que o outro tem para dizer não se faz interdisciplinaridade” (p.13). É preciso ter coragem para adentrar esse domínio que é de todos, esse “estar entre” que não pertence a ninguém em particular.

Registro: Assim era o projeto na Seleção 2010


(Para ficar mais fácil acompanhar o desenrolar - ou enovelar - da tese)

O que era doce acabou – Uma análise do desmame nos discursos oficiais de orientação ao aleitamento materno



Objetivos
O objetivo principal deste projeto é analisar as aparições e omissões acerca do tema desmame nos discursos dos materiais de orientação ao aleitamento materno produzidos pelo Ministério da Saúde na última década. Interessa-nos interpretar os sentidos do desmame ali privilegiados, buscando compreender as motivações relacionadas ao dito e ao não-dito sobre esse processo nos discursos que incentivam a mãe a iniciar o aleitamento, dar continuidade a ele, mas quase nunca a esclarecerem a respeito da complexidade de sentimentos e sentidos que permeia o encerramento da experiência da amamentação.
Este trabalho encontra seu lugar, precisamente, na necessidade de problematizar a abordagem do desmame – bem como da amamentação – no discurso oficial dos manuais, cadernos e álbuns seriados produzidos com o objetivo de orientar profissionais de saúde e população em geral à prática favorável do aleitamento materno. Tais materiais reproduzem um modelo desenvolvimentista da comunicação, para o qual a informação deve ser transmitida por meio de um processo “bipolar, linear, unidirecional e vertical” (ARAÚJO, 2004, p.166), e permanecem pautados, basicamente, em uma concepção biologicista do papel da mulher-mãe na sociedade.
O objetivo seguinte à análise do material existente sobre aleitamento materno, enfocando a questão do desmame, é propor uma reflexão sobre a abordagem do tema nos materiais educativos governamentais da educação para o amamentar, vislumbrando possíveis aproximações da comunicação em saúde com uma proposta mais ampla e integradora de diversos saberes – inclusive das próprias mulheres/mães e suas famílias - na educação para o amamentar. Tal reflexão será realizada com base nas discussões trazidas pelos referenciais teóricos selecionados e na interlocução desses discursos oficiais com outros discursos, como aqueles produzidos pelas organizações não governamentais que atuam no apoio à amamentação, como Amigas do Peito[1] e Matrice[2].
Relativizar esse saber médico historicamente naturalizado como verdade é um ponto fundamental para rediscutir o binômio amamentação-desmame sob outras óticas – inclusive a ótica do controle social sobre o corpo e a subjetividade da mulher – e trazer uma necessária polifonia ao campo da informação e da comunicação em saúde no processo da educação para o amamentar. Em razão disto, para que os manuais possam garantir uma orientação plena em relação à necessidade materna de informações – e também dos profissionais responsáveis por prestar a elas apoio durante o puerpério –, é preciso que o desmame esteja presente em sua integralidade, para além do seu aspecto nutricional.
Tal integralidade só pode se constituir por meio de uma “atitude de escuta” das diversas vozes envolvidas nesse processo comunicacional e por uma percepção mais ampla da mulher enquanto lactante. Esta percepção permitirá a construção de uma educação para o amamentar capaz de ouvir antes de aconselhar, de incluir as vozes do pai, de outros filhos e de demais familiares antes de prescrever, e, sobretudo, de compreender o contexto ao qual se dirige antes de atuar (CASTRO, 2006, 179).
Como aponta Hames (2006), o processo de amamentação encontra-se imbricado em uma rede de valores envolvendo mulheres, suas famílias, profissionais de saúde e sociedade como um todo, e essa configuração multidimensional exige “diferentes abordagens e intervenções para uma atuação efetiva na problemática que é o ser mãe, amamentar e desmamar o filho/a nos dias atuais” (p.22). Novas e diferentes abordagens não apenas no que se refere a uma assistência direta, protagonizada pelo profissional de saúde, mas também no âmbito da informação, da comunicação e das mediações em saúde.


[1] A ONG Amigas do Peito, com sede no Município do Rio de Janeiro, foi fundada em 1980 por um grupo de mulheres que percebeu “a importância de compartilhar dificuldades, expectativas e sucessos vividos com a amamentação”. Realiza eventos e reuniões e presta apoio a mães por meio de consultas por e-mail e do Disque-Amamentação. (Informações coletadas no sítio da organização. Disponível em http://www.amigasdopeito.org.br/. Acesso em 6 out. 2010).
[2] A associação Matrice – Ação de apoio à amamentação, sediada no Município de São Paulo, é composta por “Mães que ajudam outras mães a amamentar”. A partir de suas próprias histórias de amamentação, que mudaram suas vidas, o grupo de mulheres realiza reuniões e presta apoio a outras mães com o objetivo de “acolher a amamentação e tudo ligado a ela (aporte adequado de nutrientes, dependência física e emocional, peso social, familiar e no ambiente de trabalho) e transformar isso tudo em experiências pessoais positivas de crescimento”. (Informações coletadas no sítio da organização. Disponível em http://matrice.wordpress.com/. Acesso em 6 out. 2010).

interdisciplinas, entremundos, este mundo

"Estamos perante transformações epistemológicas muito profundas. É como se o próprio mundo resistisse ao seu retalhamento disciplinar."

Olga Pombo

quinta-feira, 17 de março de 2011

pra começar, quem vai colar?

exigência acadêmica às vezes pode acabar em prosa? ou pior (!): em poesia?
é pra fazer, eu faço, sempre fui aluna obediente, de sentar entre as primeiras da fila...
mas, e depois, se quebrar?