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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

a redescoberta de um livro esquecido

Li alguma coisa sobre este livro quando estava escrevendo o projeto para tentar a seleção do doutorado. Acho que, na época, tentei encontrá-lo para comprar, mas não encontrei. Parece que é um clássico da pesquisadora Elizabeth Badinter sobre o tema da maternidade e sua existência como construção social. Bestamente, lendo uma revista de comportamento em um consultório médico, encontrei a citação de outro livro dela, e, subitamente, me lembrei deste, que está disponível para download no endereço http://www.fiocruz.br/redeblh/media/livrodigital%20%28pdf%29%20%28rev%29.pdf

Para quem se interessar, segue uma breve sinopse:

Será o amor materno um instinto, uma tendência feminina inata ou depende, em grande parte, de um comportamento social, variável de acordo com a época e os costumes? É essa a pergunta que Elisabeth Badinter procura responder neste livro, desenvolvendo para isso uma extensa pesquisa histórica, lúcida e desapaixonada, da qual resulta a convicção de que o instinto materno é um mito, não havendo uma conduta materna universal e necessária.

Ao contrário, a autora constata a extrema variabilidade desse sentimento, segundo a cultura, as ambições ou as frustrações da mãe. Não pode então fugir à conclusão de que o amor materno é apenas um sentimento humano como outro qualquer e como tal incerto, frágil e imperfeito. Pode existir ou não, pode aparecer e desaparecer, mostrar-se forte ou frágil, preferir um filho ou ser de todos. Contrariando a crença generalizada em nossos dias, ele não está profundamente inscrito na natureza feminina.


Vou começar a ler, claro.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

70 anos de história da saúde da criança e aleitamento materno

O Ministério da Saúde acaba de lançar, em 2011, o livro Gestões e gestores de políticas públicas de atenção à saúde da criança: 70 anos de história. Um prato cheio de informações sobre a área técnica do MS dedicada à saúde da criança e ao aleitamento materno. Muito boa notícia!

Confira aqui.

domingo, 12 de junho de 2011

Não lendo livros – parte III


Mulheres, mães e médicos: Discurso maternalista no Brasil – Maria Martha de Luna Freire. Com mestrado e doutorado pela Fiocruz, Maria Martha é professora do Instituto de Saúde da Comunidade da Universidade Federal Fluminense (UFF). Este livro eu, sinceramente, nem acredito que exista e que eu o encontrei... É maravilhoso demais para ser verdade uma obra, fruto da tese da autora, que trata da construção do DISCURSO maternalista no Brasil. Com certeza, será basal para a minha discussão sobre os sentidos propostos pelos materiais de orientação e campanhas em prol do aleitamento materno no país. Nem comecei a ler direito e achei totalmente por acaso, a partir de uma reunião de trabalho... Mistérios!!!

Não lendo livros – parte II


Outros livros que têm tudo a ver com o meu projeto (e para os quais olho de rabo de olho todos os dias, mas não posso pegar...):

1) A Medicalização do Corpo Feminino – Elisabeth Meloni Vieira. Trata do surgimento da ginecologia e da obstetrícia no Brasil e de seu crescente controle sobre o corpo da mulher. Li todo para elaborar o meu projeto do doutorado – mas preciso ler outras vezes...

2) A mulher e a vida cotidiana: Amor, casamento e feminismo – Christopher Lasch. O autor é um historiador norte-americano famoso e acredito que esta leitura pode ser instrutiva para entender o pano de fundo dessas mudanças no papel da mulher na sociedade contemporânea. Só li a introdução quando GANHEI, numa distribuição gratuita de livros pela Prefeitura do Rio na Praça dos Cavalinhos, onde sempre passeio com o João. Dizem que os insights vêm de onde a gente menos espera... Olha aí!

Não lendo livros – parte I


Este são dois livros muito interessantes para o meu projeto – e que não tenho tido qualquer tempinho que seja para ler e desvendar:

1) Ordem Médica e Norma Familiar – Jurandir Freire Costa. Descobri ainda antes de prestar a seleção de doutorado, e ele entrou como citação no meu projeto. Trata do processo de entrada da medicina como elemento normatizador/de poder na sociedade burguesa brasileira, com início no final do século XIX e início do século XX;


2) Visões do Feminino: a medicina da mulher nos séculos XIX e XX - Ana Paula Vosne Martins. Eu acho que encontrei este livro por acaso na Editora Fiocruz. Ou não? Sei lá, provavelmente estava na bibliografia de algum outro texto que li, e tenho certeza de que será bem útil para a minha proposta de trabalho.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

lendo (lendo, lendo, ...) livros


Estão aí dois livros que têm sido importantes neste momento:

1.      Lendo imagens, de Alberto Manguel: fora do tom acadêmico, mas surpreendente porque analisa imagens - de vários momentos da arte mundial, mas principalmente ocidental. Dentre elas, uma pintura atribuída a Robert Campin que apresenta a Virgem amamentando a criança;

2.      Filosofia, Linguagem e Comunicação, de Danilo Marcondes: livro que estou lendo para apresentar na disciplina Teoria e Metodologia dos Discursos. E que tenho de correr na leitura para preparar a apresentação até 10 de maio...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fichamento 2


MINAYO, Ma. Cecília de S. Contribuições da antropologia para pensar e fazer saúde. In: CAMPOS, Gastão W.S. ET AL. Tratado de Saúde Coletiva. 2ª ed. São Paulo: Ed. Hucitec, Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, p. 189-218.

Resumo
A autora busca abordar as contribuições que a entrada das reflexões da antropologia no campo da saúde trouxe para a área, sobretudo para pensar o binômio saúde-doença nos dias atuais. Ao longo do texto, segue um percurso que abarca desde o surgimento da antropologia, suas relações com as disciplinas científicas e seu diferencial como ciência (a compreensão da cultura como elemento fundador da experiência humana) até as contribuições da antropologia para o campo da saúde e as dificuldades e entraves que surgem na sua relação com essa área de conhecimento. Aborda, ainda, as características da antropologia da saúde made in brazil e suas diferenças fundamentais em relação ao trabalho desenvolvido internacionalmente.

Ideias principais

- Contribuição da antropologia para o concerto das disciplinas científicas: A antropologia surge no final do século XIX e marca seu lugar como disciplina tendo como objetivo investigar o modo como as sociedades humanas ou grupos humanos específicos produzem o mundo por meio de processos de significação e classificação. Além de se debruçar sobre a análise da(s) cultura(s), ela também empreende um processo de auto-reflexão, realizando “a crítica do próprio pensamento científico produzido por ela própria” (p.190). Sua grande contribuição para o campo da saúde se dá por meio de uma crítica ao pensamento científico duro, tradicional, que se constrói sobre o paradigma de que é mais verdadeiro e legítimo do que o que Lévi-Strauss chamou de pensamento mítico. Através de sua tradição de compreensão da cultura, que passa a ocupar um lugar de objetividade por onde passam o político, o religioso e outras instâncias da vida social, a antropologia traz para o campo da saúde:
1. A percepção de que a doença é um “híbrido biológico social”, expressão cunhada por Latour (1994), ou seja, uma condição/vivência que não é apenas biológica, orgânica, natural, mas está imbricada em sentidos sociais e culturais produzidos em cada grupo humano. E isto contribui para relativizar a visão biomédica sobre saúde e doença;
2. A descoberta de que, assim como saúde e doença são conceitos biológicos e sociais, também os mecanismos terapêuticos e de cura estão ligados a um funcionamento, ou, como apontou Lévi-Strauss (1963), dependem da “eficácia simbólica”, que, por sua vez, surge da relação de confiança estabelecida entre médico, paciente e ambiente cultural;
3. O entendimento da doença como “fato social total” (Mauss, 1950), acontecimento que mobiliza tanto o corpo quanto o emocional, uma mobilização de tal grandeza que termina por afetar as relações do indivíduo em comunidade. Essa concepção da saúde e da doença como representações biológicas fortemente ligadas à cultura é o que faz delas janelas para a compreensão das relações sociais e das instituições e seus mecanismos. É ainda esse entendimento que permite a Douglas (1970) afirmar que é o corpo social que limita a forma pelo qual o corpo físico é percebido em cada época e sociedade em particular;
4. A ênfase na contextualização dos fenômenos ou processos que envolvam ser humano, no âmbito individual ou em coletividade, lembrando que, no campo da saúde, a formação histórico-cultural de uma população e a configuração econômica, social e política interferem no quadro de saúde e na doença;  
5. A contribuição na abordagem metodológica, que agrega ao campo da saúde a importância de levar em consideração: os valores culturais, representações e opiniões sobre saúde-doença tanto os biomédicos como os chamados “tradicionais”, contra os quais a ciência se impôs para a constituição do campo; as relações entre profissionais da saúde, pacientes e seus familiares, as lógicas das próprias instituições de saúde e de movimentos sociais; e a avaliação de políticas e práticas de atenção em saúde em todas as suas etapas, desde a formulação até a aplicação técnica, considerando suas significações entre todos os sujeitos envolvidos. A ideia de ouvir antes de prescrever e a necessidade de interlocução (a reciprocidade intersubjetiva) entre os atores são parte do arcabouço antropológico aplicável à saúde.  

- Dificuldades na relação da antropologia com a saúde: Para a autora, os principais entraves entre a antropologia e a saúde encontram-se em ambos os campos. Do lado da saúde, as questões são 1) o retorno a uma concepção meramente biológica da saúde-doença que advém da ideologia que acompanhou o desenvolvimento da genética contemporânea, deixando de fora o aspecto social desse binômio (o reducionismo biomédico); e 2) o tecnicismo da clínica e da epidemiologia, que cria a ideia  de que a verdade é composta de números e dados, e que o sujeito histórico não compõe esse panorama. Do lado da antropologia, a tendência apontada anteriormente às avessas, ou seja, perceber o ser humano apenas como cultural. Minayo critica a postura de antropólogos que esquecem que o ser humano é composto por um corpo que também é biológico, e que, portanto, embora imbricado às representações sociais da saúde e da doença, mostra-se saudável ou, por vezes, objetivamente adoece.    

- Antropologia da saúde no Brasil, diversidade da produção e situação no contexto internacional: A autora aponta, em primeiro lugar, a opção pelo uso da terminologia antropologia da saúde em lugar de antropologia médica, pois essa nomenclatura tem sido mais utilizada no meio científico nacional e, no Brasil, reflete melhor a produção na área, que engloba abordagens de prevenção, promoção e qualidade de vida. Apresenta críticas e avanços alcançados pela antropologia da saúde latino-americana, iniciada por volta de 1920, para, em seguida, tratar do campo no contexto brasileiro. Minayo explica que, embora seja um campo novo, a antropologia da saúde no país tem atendido a uma demanda cada vez maior da sociedade em razão das novas questões que se vêm colocando para a saúde coletiva. Destaca que em nosso país os antropólogos demoraram a ingressar nas pesquisas e intervenções em saúde, o que aconteceu, timidamente, a partir de 1970 e 1980, sob a influência do Movimento Sanitário. A autora também fala da importância da Abrasco no desenvolvimento das pesquisas em antropologia da saúde ao lado de outras disciplinas e modalidades das ciências sociais; cita a abrangência dos estudos, que abarcam populações indígenas, rurais e urbanas; e aborda o perfil dos antropólogos com formação stricto sensu que atuam no campo, geralmente contratados ou concursados para atuar em programas de pós-graduação e de pesquisa em saúde coletiva. Desenvolve, ainda, uma classificação interna da produção antropológica brasileira (a nosso ver, desnecessária), dividida em quatro nichos compostos por: antropólogos stricto sensu e antropólogos da saúde; antropólogos que atuam no setor específico da saúde; antropólogos que atuam em departamentos pluridisciplinares e produzem abordagens interdisciplinares da área; e profissionais de outras áreas que se apropriam do instrumental teórico-metodológico da antropologia para trabalhar com seus próprios objetos.

Conclusões

Após retomar o percurso feito ao longo do texto, demonstrando contribuições e dificuldades que permeiam a relação da antropologia com o campo da saúde, a autora conclui que o mais importante é considerar o fato incontestável de que tanto a saúde quanto a doença envolvem efeitos que se dão no corpo e no imaginário dos indivíduos, e que, em ambos os casos, os efeitos e conseqüências são reais. Minayo defende a necessidade de os profissionais e gestores da saúde levarem em consideração os valores, atitudes e crenças das pessoas que são público-alvo de tratamentos ou ações de prevenção ou promoção da saúde. Segundo ela, compreender e valorizar a força da cultura na vivência humana (grande contribuição da antropologia para o campo da saúde) não fará das ciências da saúde menos científicas, como pensam alguns; ao contrário, permitirá que elas tenham maior domínio dos fenômenos sobre os quais se debruçam.    

domingo, 20 de março de 2011

Fichamento 1


Interdisciplinaridade e integração dos saberes
POMBO, Olga. Interdisciplinaridade e integração dos saberes. LIINC em Revista, v.1, n.1, 2005, p.3-15. Disponível em http://www.ibict.br/liinc. Acesso em 17.03.2011.

O artigo é fruto de uma conferência que a autora ministrou no Congresso Luso-Brasileiro sobre Epistemologia e Interdisciplinaridade na Pós-Graduação, realizado em Porto Alegre (Brasil) em junho de 2004. O tema do trabalho é compreender a questão da interdisciplinaridade tanto na investigação científica quanto no ensino das ciências na atualidade.
Pontos mais importantes apontados ao longo do texto:
1. Além de afirmar que não sabe o que é nem como se faz interdisciplinaridade, a autora arrisca dizer que ninguém sabe como se faz, pois a interdisciplinaridade não é qualquer coisa que se faça, mas algo que está a acontecer para além da nossa vontade. Ela defende que sua tentativa será fazer seu público entender um pouco do que se pensa sobre interdisciplinaridade e por que ninguém sabe como ela se faz e o que ela é exatamente;
2. Para começar, Pombo trabalha os conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade, demonstrando suas semelhanças e seus distanciamentos. Segundo ela, esses conceitos seguem em um continuum de desenvolvimento, da ideia de convivência entre muitas disciplinas – multi ou pluri -, para a ideia de colocá-las em relação umas com as outras – inter -, até a ideia trazida pelo prefixo trans, de ir além das disciplinas, ou, nas palavras da autora, “uma ultrapassagem daquilo que é próprio da disciplina” (p.5). De qualquer modo, todos esses conceitos carregam em si, segundo ela, “uma tentativa de romper o carácter estanque das disciplinas” (p.5). A interdisciplinaridade estaria, portanto, em uma situação intermediária, entre a simples justaposição e a ultrapassagem/fusão entre elas;
3. O fundamental, para a autora, é compreender o que está por trás dessas várias palavras, que é a resistência da atividade científica ao processo de especialização que vem se fortalecendo a partir do século XIX, com o advento da ciência moderna, baseada nas metodologias propostas por Descartes e Galileu. A especialização que tem caracterizado o procedimento científico desde sempre é, segundo Pombo, essa metodologia que permite “ ‘esquartejar’ cada totalidade, cindir o todo em pequenas partes por intermédio de uma análise cada vez mais fina” (p.6), acreditando que, ao final do processo, poderá recompor o todo por meio da soma das partes;
4. Pombo explica que há, certamente, as vantagens relacionadas a essa concepção da ciência, demonstradas por todos os resultados notáveis trazidos para a vida do homem contemporâneo. Mas, no entendimento da autora, é necessário reconhecer os custos da especialização, que a autora elenca em seguida:
4.1. Custos relativos ao próprio especialista, que se converte em um ser que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, ao lado da separação e da incompreensão profunda entre duas formas da cultura científica: ciências da natureza e ciências do espírito, que deixam de comunicar entre si;
4.2. Custos do ponto de vista institucional, a saber, a competitividade entre comunidades de pares, que disputam entre si os apoios, financiamentos, bolsas, equipamentos etc. Uma das conseqüências dessa disputa é a patentificação de novas áreas de investigação, que, segundo Pombo, “ameaça destruir a nossa própria ideia de ciência” (p.8), pois dificulta ou mesmo inviabiliza as descobertas simultâneas e “o carácter público, universal e desinteressado da ciência” (p.9);
4.3. Para a autora, além dos custos culturais e institucionais da especialização, há ainda outros tipos de custos, como a questão da heurística: paradoxalmente, em paralelo ao processo de especialização vivido pela ciência, as descobertas científicas e o progresso da ciência estão cada vez mais atrelados à fecundação de umas disciplinas por outras, pela “transferência de conceitos, problemas e métodos – numa palavra, do cruzamento interdisciplinar” (p.9). O que vivemos hoje, nas palavras de Pombo, “é como se o próprio mundo resistisse ao seu retalhamento disciplinar” (p.9). Segundo Pombo, de acordo com alguns autores, como Durand (1991), a criação científica sempre esteve ligada à interdisciplinaridade;
5. Por tudo o que foi dito antes, a autora acredita que uma das chaves fundamentais para o entendimento da questão é considerar que o todo não é igual à soma das partes. Segundo ela, a especialização precisa ser complementada ou mesmo substituída por uma visão interdisciplinar, que pode ser capaz de abarcar as configurações e perspectivas múltiplas que a ciência necessita convocar para o conhecimento de seus objetos de estudo. Nessa nova perspectiva epistemológica, Pombo observa o surgimento de ciências de fronteira, interdisciplinas e mesmo interciências, combinações que visam resolver problemas precisos, que fogem à alçada das disciplinas tradicionais. Sim, pois a autora aborda também o surgimento não apenas de novas práticas de investigação interdisciplinar, mas de novos problemas, complexos, impossíveis de serem pensados sem lançar mão de uma enormidade de variáveis que nenhuma disciplina sozinha está apta a resolver. Disso, para ela, decorrem duas conseqüências: “o alargamento do conceito de ciência e a necessidade de reorganização das estruturas da aprendizagem das ciências, nomeadamente, a universidade;
5.1. Sobre o alargamento da ciência, a autora defende que, desde o início do século XX, a ciência entrou em um processo de perda da autonomia, passando a ser, cada vez mais, sobretudo a partir da 2ª Guerra Mundial, afetada por aspectos de natureza política e econômica; ao mesmo tempo, a ciência passou a contaminar e estar presente em todas as instâncias da vida humana, fazendo parte de nosso cotidiano;
5.2. Em razão desse apagamento de fronteiras entre ciência e política, economia, arte e vida, surge uma nova situação, a de um público mais informado, que passa a se interessar, a criticar e a exigir mais; o que aponta para uma remodelação da Universidade, um espaço de investigação mas também de formação;
6. O lugar da Universidade: polo de investigação e local de formação
6.1. Pombo salienta que, como polo de investigação, ela terá de acompanhar as transformações pelas quais passa a ciência contemporânea, adotando e apoiando as exigências interdisciplinares que atravessam a construção dos conhecimentos;
6.2. Como escola, local de formação, ela tem de estar apta a preparar para a interdisciplinaridade e não apenas apoiar, mas promover experiências que se debrucem sobre novos tipos de configurações disciplinares. Como afirma Pombo, “criar oportunidades sérias para pensar o que está a acontecer, tanto na esfera da produção, como na da transmissão do conhecimento” (p.13).
Conclusões: Por fim, a autora afirma que a interdisciplinaridade não se deixa pensar apenas em sua faceta cognitiva, pela sensibilidade à complexidade, mas exige uma atitude concreta de curiosidade, abertura e gosto pelo trabalho em comum. Nas palavras dela, “sem interesse real por aquilo que o outro tem para dizer não se faz interdisciplinaridade” (p.13). É preciso ter coragem para adentrar esse domínio que é de todos, esse “estar entre” que não pertence a ninguém em particular.

interdisciplinas, entremundos, este mundo

"Estamos perante transformações epistemológicas muito profundas. É como se o próprio mundo resistisse ao seu retalhamento disciplinar."

Olga Pombo