domingo, 10 de junho de 2012

alaic - teoria e prática da amamentação

Durante o período de 9 a 11 de maio, estive, ou melhor, estivemos no congresso da Alaic, em Montevidéu, Uruguai.
Apresentei um trabalho que falava da temática do meu projeto de tese - amamentação - e, ao mesmo tempo, experimentei
a situação de amamentar a minha filha mais nova, Laura, durante o evento. Sinto que tive a oportunidade de vivenciar o meu objeto, de fazer uma desejável junção entre o meu EU pesquisador e o meu EU mãe.
Teorizações à parte, a viagem foi muito legal. Pela primeira vez fui a um congresso internacional para apresentar um trabalho, e, mesmo não sendo nenhum artigo conclusivo, sinto-me orgulhosa da façanha de viajar com a minha pequena de apenas 4 meses para o exterior. Não posso deixar de agradecer a minha mãe, pois, sem ela, essa aventura seria impossível de acontecer. Como diz o meu pai, com sua sabedoria de traseira de caminhão (que, às vezes, é a filosofia mais útil que existe): MÃE SÓ TEM UMA.

Para ver o trabalho apresentado (entre as PONENCIAS): http://alaic2012.comunicacion.edu.uy/inicio

Para ver algumas fotos...

Curtindo uma paella

Curtindo a minha mãe

Curtindo a minha filhota


Curtindo uma soneca

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Portfolio III - 1ª Apresentação (18/4/2012)


Desculpe o transtorno, objeto em construção!

Olho para esta tela em branco de computador portátil e penso: interrogação. Em lugar da lâmpada das histórias em quadrinhos, aquele balão vazio, e na cara do personagem – a minha cara -, uma expressão difícil de definir: perplexidade, cansaço, inércia, indecisão?

Este semestre, tudo diferente. Nada de filmes por enquanto. Nem na televisão. As águas que borbulhavam ideias durante a gestação estão calmas agora. Quer dizer, não estão, mas não sobra tempo para elas. O meu tempo é híbrido e mistura o frenesi das aulas e idas diárias à creche para pegar o João com a infinidade de minutos e até mesmo horas que passo sentada na cama, vendo a Laurinha mamar. Se fosse só a fome da barriga, acho que ela acabaria rápido. Mas tem toda essa carência ontológica de bebê, que se alimenta menos de leite que do meu olhar. 

O projeto caminha. Estou, neste momento, tentando (re)construir meu objeto. Inspirada e obrigada a pensá-lo a partir da leitura de Por uma sociologia reflexiva, de Pierre Bourdieu, indo de encontro ao objeto pré-construído. Mas que raios isto significa, na prática, para uma aspirante a pesquisadora de meio período como eu? Uma consequência – acho que – já identifiquei. Em vez de primeiro analisar os materiais oficiais de comunicação sobre aleitamento materno na última década (manuais e cartazes de campanhas produzidos pelo Ministério da Saúde), munida de um olhar pré-construído de socióloga que é parte de seu objeto, vou tentar, antes, ouvir as mulheres que já gostaria de entrevistar. A partir de suas falas – de suas afirmações, questionamentos, angústias – interrogar, sim, também munida do meu olhar, que me é IneRENtE, os discursos institucionais. Talvez isso transforme radicalmente os resultados do meu trabalho. E digo “talvez” porque, a esta altura, não tenho certeza de nada.

À procura desse olhar novo sobre o meu objeto, tentando reconstruí-lo em novas bases, prossigo lendo O Poder Simbólico, de Bourdieu, que é fundamental para entender as relações de poder que se dão a partir da linguagem e de outras fontes de capital simbólico, cultural. Paralelamente, estou conhecendo o trabalho da pesquisadora Mary Jane Spink, que originalmente habita a seara da psicologia, mas que enveredou pela questão das práticas discursivas e da produção de sentidos no cotidiano social.

Por insistência do meu marido e sugestão da professora Regina Marteleto, também tirei da prateleira – e com isto não estou dizendo que já iniciei a leitura – A invenção do cotidiano – 1. Artes do fazer, de Michel de Certeau, na tentativa de compreender melhor esses fluxos de discursos e práticas que não acontecem somente de acordo com o poder hegemônico, o discurso oficial, mas por meio das estratégias e táticas diárias do homem comum.

Ao meu lado (rezando para que consiga me nutrir deles um tanto por osmose), permanecem Visões do Feminino – a medicina da mulher nos séculos XIX e XX, de Ana Paula Vosne Martins; História das Mulheres no Brasil, coletânea de artigos organizada por Mary Del Priore; A Medicalização do Corpo Feminino, de Elisabeth Meloni Vieira; Mãe Natureza – Uma visão feminina da evolução – Maternidade, filhos e seleção natural, de Sarah Blaffer Hrdy; e Mulheres, mães e médicos – Discurso maternalista no Brasil, de Maria Martha de Luna Freire, professora da UFF que aceitou participar do evento que nós, doutorandos de 2011, estamos organizando na disciplina Seminários Avançados I. E muitos textos avulsos, muitos, a maioria tematizando a questão da construção de gênero, que é pano de fundo do meu trabalho. É, digamos, onde se insere necessariamente o meu tema.

Ainda entre os desafios deste semestre, estou indo a Montevidéu em maio para apresentar no congresso da Alaic o trabalho “Nada mais natural que amamentar” – discursos contemporâneos sobre aleitamento materno no Brasil, em parceria com a minha orientadora, Maria Conceição da Costa. Será a primeira vez que participo de um evento internacional e confesso que me dá um certo frio na barriga, aquele medo eterno de não conseguir.

Mas, neste momento, o que mais me inquieta é o COMO. Análise de discursos para os materiais? Grupos focais e entrevistas com as mulheres? Que caminhos metodológicos seguirei para chegar até onde queria e quero? Por onde pisar para conseguir olhar tudo isso de um jeito meu e dizer algo minimamente interessante, que não seja simplesmente cumprir o protocolo e chover no molhado? Alguém, alguém? Bem, por enquanto estou me contentando em conter em mim muitas dúvidas...

Para além do planejado, deixo a vida me levar – trocando fraldas, dormindo pouco e sentindo a felicidade sem palavras de ver dois filhos crescerem. Quanto vale isso no Lattes? Mais uma questão para minha lista interminável.




domingo, 1 de abril de 2012

pensando no COMO


- O poder simbólico - Pierre Bourdieu;
- Aprendizagem significativa - Marco Antonio Moreira;
- A invenção do cotidiano. 1. Artes do fazer - Michel de Certeau;
- Linguagem e produção de sentidos no cotidiano - Mary Jane Spink.



- Caminhos do pensamento. Epistemologia e método - Maria Cecília de Souza Minayo & Suely Ferreira Deslandes (Orgs.);
- Introdução à análise da imagem - Martine Joly;
- A ordem do discurso - Michel Foucault.

pensando n' O QUÊ


- História das mulheres no Brasil - Mary del Priore (Org.);
- Mulheres, mães e médicos. Discurso maternalista no Brasil - Maria Martha de Luna Freire;
- Mãe natureza. Uma visão feminina da evokução. Maternidade, filhos e seleção natural - Sarah Blaffer Hrdy;
- Visões do feminino.A medicina da mulher nos séculos XIX e XX - Ana Paula Vosne Martins;
- A medicalização do corpo feminino - Elizabeth Meloni Vieira;
- A era do saneamento - Gilberto Hochman.



- Ordem médica e Norma familiar - Jurandir Freire Costa;
- O conflito. A mulher e a mãe - Elizabeth Badinter;
- História da sexualidade 1. A vontade de saber - Michel Foucault;
- Microfísica do poder - Michel Foucault.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Portfolio II - 2ª apresentação, 8 de dezembro de 2011

Querido diário,
(22/11) Inicio, a mais de duas semanas da minha última apresentação na disciplina Portfolio II, um balanço em etapas desse segundo semestre de curso. Neste momento, pensei que fosse possível estar com a Laurinha em meus braços. Mas, felizmente, ainda não. Ela aguarda dentro de mim, demonstrando ter a paciência que não puxou à mãe, e no sábado completo 32 semanas de gestação.

Desde a primeira apresentação, há dois meses, terminei de ler o livro da Elisabeth Badinter, O Conflito – a mulher e a mãe, uma leitura muito importante para delinear o contexto do meu projeto e ir, aos poucos, me apropriando do processo pelo qual a maternidade foi se transformando nas sociedades ocidentais e as mudanças fundamentais ocorridas nas últimas décadas. Também tomei coragem e submeti um resumo, relativo ao artigo que escrevi para a disciplina Seminários Interdisciplinares I no primeiro semestre, ao congresso da Alaic, que acontecerá em Montevidéu no ano que vem. Se tudo der certo – ou seja, se o resumo for aceito -, terei de ir de mala e cuia, com paper debaixo do braço, duas crianças a tiracolo e a minha mãe para ajudar, claro! Trocando em miúdos: (mais) uma legítima aventura.

Recentemente, comprei um livro na Estante Virtual de um pesquisador da Fiocruz, Gilberto Hochman, A Era do Saneamento. O autor foi uma indicação da minha orientadora, que achou fundamental eu diversificar as referências sobre o surgimento da saúde pública no Brasil. Pelo que vi, trata muito da questão da doença e da constituição desse campo no país, mas ainda não descobri, num primeiro olhar, nada específico sobre a minha área de interesse. Também reuni diversos artigos que têm relação com o meu tema, a questão da mulher e da infância no país, muitos deles descobertos na bibliografia dos livros que tenho lido, especialmente o da Maria Martha de Luna Freire, Mulheres, mães e médicos: discurso maternalista no Brasil, que é uma obra muito interessante e analisa como se constituiu o discurso maternalista, no início do século XX, a partir da leitura de duas publicações femininas da época: Vida Doméstica e Revista Feminina, voltadas às famílias burguesas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Muito curioso foi perceber, fuçando as referências bibliográficas do livro, quantos autores do campo da Educação ela consultou, em razão de a educação feminina ter estado diretamente relacionada à concretização dos ideais higienistas no país. O mundo dá voltas e, algumas vezes, a gente volta – diferente, claro – às mesmas referências, aos mesmos lugares. Saúde e educação, quem diria. Cá estou eu, novamente, redescobrindo meus professores do mestrado na Uerj e seus pares.
(29/11) Falta pouco mais de uma semana para a minha apresentação. Estou com várias ideias de artigos povoando a minha cabeça, mas elas disputam não somente espaço, mas, sobretudo, atenção com os mil e um questionamentos sobre quando e como vai ser o parto da Laura, se ela vai nascer bem, se poderá vir para casa com a gente ou precisará de cuidados especiais, como o João. A barriga está cada vez maior e mais pesada (e eu também). Uma “singela” consequência disso é que dormir se tornou uma missão quase impossível. Ainda bem que, como nas palavras do meu filhote: “Nada é impossível, mamãe”. Falta concentração, e aproveito esse tempo para reunir, reunir... Só ontem, chegaram dois livros que comprei pela internet: Mãe Natureza: Uma visão feminina da evolução – Maternidade, filhos e seleção natural, da primatologista norte-americana Sarah Blaffer Hrdy, e História das Mulheres no Brasil, coletânea organizada por Mary Del Priore. A ideia é a mesma: aproveitar esse tempo para reunir referências, agregar leituras possivelmente interligadas. E o negócio é inversamente proporcional: minha bibliografia cresce enquanto meu armário parece diminuir... 

(5/12) Estamos a três dias do Portfolio II, encerrando o semestre, o segundo do longo caminho do meu doutorado. A sensação que resume este último encontro é: 2011 voou. E, ao mesmo tempo, apesar de ter passado mais rápido do que todos os anos da minha vida, foi repleto de acontecimentos, e não meros acontecimentos, mas intensas transformações em seus quase 365 dias. Os livros que encontrei têm me livrado de fazer desses três meses de repouso um tempo perdido. Sei que perdi muito – as aulas, os encontros, a oficina de artigos... Mas, por outro lado, talvez não tivesse conseguido avançar tanto nas leituras relacionadas ao projeto. Talvez estivesse mais longe dele. Ao contrário, sinto-me totalmente conectada aos autores – sobretudo autoras – que tenho conhecido. Meu medo agora (que a minha orientadora não me ouça!) é ser tachada de ‘feminista’ por trabalhar com esse tema. Sempre fugi dos rótulos, sempre tive horror a esses ‘ismos’ e ‘istas’. Mas, no fundo, sei que preciso me aprofundar na condição da mulher, sua trajetória ao longo da história, as relações de gênero no Brasil e no mundo envolvendo a questão da maternidade e do aleitamento. E não posso nem quero me esquivar dessa tarefa.
Meu amigo, espero que me desculpe por este texto, essa colcha de retalhos mal costurada, esse alinhavo de apresentação. Confesso que, neste momento, sou uma mulher dividida entre minhas obrigações de aluna, os interesses de pesquisadora e minha ansiedade de mãe, que toma conta de quase tudo. A Laura vem aí... Está a caminho e, tenho certeza, vem completar a minha vida. Se possível, perdoe também a pieguice. Pelo menos dessa vez, vou me permitir colocar a “culpa” na minha situação. Ah, gravidez, esse estado especial...   
Queria fechar essas anotações com um trecho do livro de Sarah Blaffer Hrdy, que tem me ajudado a preencher esses últimos dias:
Hoje, as mães em países desenvolvidos, e com elas os pais e os filhos, penetram em terreno inexplorado. Sem ninguém que levante a mão oferecendo-se como voluntária, tornamo-nos cobaias num vasto experimento social que revela o que realmente querem fazer as mulheres que podem controlar a reprodução. As crianças também estão descobrindo o que significa ter nascido para uma complexa e multifacetada criatura que dispõe de uma gama de opções sem precedentes. É um experimento-em-curso, com dois resultados já evidentes. Primeiro, as decisões que as mães tomam nem sempre se harmonizam com as nossas expectativas convencionais acerca dessas criaturas inatamente carinhosas e altruístas. Em segundo lugar, seja o que for que a mãe de hoje decida, o mais provável é que seja uma decisão discutível em alguns setores. Em termos claros, a maternidade converteu-se num campo minado, e estamos caminhando através dele sem dispor ao menos de um mapa que nos guie. (HRDY, 2011, p.23-24)